Mugabe denuncia <br> potências ocidentais
A crise no Burundi, a guerra civil no Sudão do Sul e críticas ao Ocidente marcaram a 25.ª cimeira da União Africana (UA).
A reunião decorreu nos dias 14 e 15, em Joanesburgo, e tinha uma extensa agenda. Os líderes dos 54 países da África aprofundaram temas como a integração económica do continente, a livre circulação, a criação de uma zona de comércio livre. E abordaram questões ligadas à paz e à segurança, à dignificação da mulher, à formação dos jovens, à melhoria das estruturas de educação e de saúde, ao combate a doenças como a sida e o ébola, à emigração forçada de africanos para a Europa através do Mediterrâneo.
«Estas pessoas que fogem dos seus países não o fazem por escolha própria mas sim por desespero, na tentativa de alcançar uma vida melhor em outras partes do mundo», considerou a presidente da Comissão Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, na sessão de abertura.
A diplomata sul-africana, citada pela Angop, felicitou os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, da Namíbia, Hege Geingob, e da Nigéria, Muhammadu Buhari, bem como o primeiro-ministro do reino do Lesoto, Pakalitha Mosisili, recentemente eleitos através de eleições democráticas. E regozijou-se pelos progressos políticos verificados na Guiné-Bissau e na Serra Leoa.
O presidente em exercício da UA, Robert Mugabe, discursou na inauguração desta 25.ª cimeira africana. E, sem surpresa, criticou com severidade os países ocidentais e alguns dos seus dirigentes. Fustigou o antigo presidente norte-americano George W. Bush e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair pela agressão militar, invasão e ocupação do Iraque.
Conta a Jeune Afrique que o veterano líder do Zimbabué afirmou que «Little Bush» e «Little Blair» tinham uma única ideia na cabeça quando invadiram o país de Saddam Hussein: apoderar-se do petróleo iraquiano. Mugabe denunciou ainda o francês Nicolas Sarkozy e o italiano Silvio Berlusconi, comparsas menores nessa e noutras aventuras militares do imperialismo, como a destruição da Líbia pela NATO capitaneada pelos Estados Unidos.
Abordando um assunto actual em África, Mugabe criticou a limitação dos mandatos presidenciais. «Nós, africanos, estamos a pôr uma corda no pescoço quando dizemos que os nossos presidentes só podem cumprir dois mandatos. Se os povos querem que os seus dirigentes permaneçam mais tempo no poder, isso é também democracia», defendeu.
Noutras ocasiões, políticos e intelectuais africanos têm criticado a imposição aos estados africanos, pelo Ocidente, de «modelos» democráticos que pouco têm a ver com as realidades económicas, culturais e sociais e a história da África.
Sudão do Sul,
Burundi e TPI
A crise no Burundi, a pretexto de um terceiro mandato do presidente Pierre Nkurunziza, esteve presente nos debates da cimeira. A organização pan-africana exigiu o retomar do diálogo entre governo e oposição, no sentido de um consenso sobre a organização de eleições credíveis e da resolução política e pacífica da crise. A UA decidiu enviar de imediato para Bujumbura meia centena de peritos militares e observadores para supervisionar o desarmamento de milícias e outros grupos. E confiou o papel de mediador ao presidente tanzaniano Jakaya Kikwete, presidente em exercício da Comunidade da África do Leste.
A reunião decorreu nos dias 14 e 15, em Joanesburgo, e tinha uma extensa agenda. Os líderes dos 54 países da África aprofundaram temas como a integração económica do continente, a livre circulação, a criação de uma zona de comércio livre. E abordaram questões ligadas à paz e à segurança, à dignificação da mulher, à formação dos jovens, à melhoria das estruturas de educação e de saúde, ao combate a doenças como a sida e o ébola, à emigração forçada de africanos para a Europa através do Mediterrâneo.
«Estas pessoas que fogem dos seus países não o fazem por escolha própria mas sim por desespero, na tentativa de alcançar uma vida melhor em outras partes do mundo», considerou a presidente da Comissão Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, na sessão de abertura.
A diplomata sul-africana, citada pela Angop, felicitou os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, da Namíbia, Hege Geingob, e da Nigéria, Muhammadu Buhari, bem como o primeiro-ministro do reino do Lesoto, Pakalitha Mosisili, recentemente eleitos através de eleições democráticas. E regozijou-se pelos progressos políticos verificados na Guiné-Bissau e na Serra Leoa.
O presidente em exercício da UA, Robert Mugabe, discursou na inauguração desta 25.ª cimeira africana. E, sem surpresa, criticou com severidade os países ocidentais e alguns dos seus dirigentes. Fustigou o antigo presidente norte-americano George W. Bush e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair pela agressão militar, invasão e ocupação do Iraque.
Conta a Jeune Afrique que o veterano líder do Zimbabué afirmou que «Little Bush» e «Little Blair» tinham uma única ideia na cabeça quando invadiram o país de Saddam Hussein: apoderar-se do petróleo iraquiano. Mugabe denunciou ainda o francês Nicolas Sarkozy e o italiano Silvio Berlusconi, comparsas menores nessa e noutras aventuras militares do imperialismo, como a destruição da Líbia pela NATO capitaneada pelos Estados Unidos.
Abordando um assunto actual em África, Mugabe criticou a limitação dos mandatos presidenciais. «Nós, africanos, estamos a pôr uma corda no pescoço quando dizemos que os nossos presidentes só podem cumprir dois mandatos. Se os povos querem que os seus dirigentes permaneçam mais tempo no poder, isso é também democracia», defendeu.
Noutras ocasiões, políticos e intelectuais africanos têm criticado a imposição aos estados africanos, pelo Ocidente, de «modelos» democráticos que pouco têm a ver com as realidades económicas, culturais e sociais e a história da África.
Sudão do Sul,
Burundi e TPI
A crise no Burundi, a pretexto de um terceiro mandato do presidente Pierre Nkurunziza, esteve presente nos debates da cimeira. A organização pan-africana exigiu o retomar do diálogo entre governo e oposição, no sentido de um consenso sobre a organização de eleições credíveis e da resolução política e pacífica da crise. A UA decidiu enviar de imediato para Bujumbura meia centena de peritos militares e observadores para supervisionar o desarmamento de milícias e outros grupos. E confiou o papel de mediador ao presidente tanzaniano Jakaya Kikwete, presidente em exercício da Comunidade da África do Leste.
Outro assunto debatido em Joanesburgo foi a guerra civil no Sudão do Sul. Desde Dezembro de 2013, partidários do presidente Salva Kiir e do antigo vice-presidente Riek Machar travam violentos combates. Fontes africanas indicam que a carnificina, num país produtor e exportador de petróleo, já provocou dezenas de milhares de mortos e dois milhões de deslocados ou refugiados. Alpha Oumar Konaré, antigo presidente do Mali, foi agora investido como enviado especial da UA para tentar solucionar o diferendo. E foi pedida uma reunião célere do «comité ad hoc de alto nível» para o Sudão do Sul, constituído pelos dirigentes de países das cinco regiões do continente – Argélia, Nigéria, Chade, África do Sul e Ruanda –, que vão apoiar os esforços de mediação da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), que agrupa oito países este-africanos.
Esta reunião da UA ficou assinalada por uma tentativa falhada do Tribunal Penal Internacional (TPI) de forçar as autoridades sul-africanas a prender o presidente do Sudão, Omar el-Béchir, e a entregá-lo em Haia. O tribunal acusa-o desde 2009 de crimes de guerra e genocídio cometidos na guerra do Darfur.
Ao contrário, diversas vozes em África denunciam o TPI por «só perseguir dirigentes africanos», identificando-o como um instrumento do Ocidente para ingerências nos países do continente.
Esta reunião da UA ficou assinalada por uma tentativa falhada do Tribunal Penal Internacional (TPI) de forçar as autoridades sul-africanas a prender o presidente do Sudão, Omar el-Béchir, e a entregá-lo em Haia. O tribunal acusa-o desde 2009 de crimes de guerra e genocídio cometidos na guerra do Darfur.
Ao contrário, diversas vozes em África denunciam o TPI por «só perseguir dirigentes africanos», identificando-o como um instrumento do Ocidente para ingerências nos países do continente.